Ha amores assim. Eternos. Que perduram após a existência física. Em que algures no tempo as almas trocaram juras. É de manhã, ainda não são 8h00. E eles sentados, na cama, lado a lado olham para a janela. É assim sempre, todas as manhãs. Falam sobre tudo. A vida. O amor. A história. A família. A filha, o genro e os netos. Hoje recordam aquele encontro na Nau: ambos sentados ao balcão, nos bancos altos. Aí falaram das suas intenções e foi feito o pedido de casamento. Nessa altura, ainda não previam o quanto o amor iria crescer, fortalecer-se! Hoje, 36 anos após o dia em que disseram que sim a uma vida conjunta, a um amor que se tornou eterno, continuam a passear de mão dada, Ele a dizer que “bonita que es! Amo-te” e Ela responde-lhe a sorrir “e eu a Ti”. Ela vai para a cozinha preparar o pequeno-almoço, enquanto Ele senta-se na sua cadeira ao escritório em frente ao computador. Aí escreve-lhe uma carta de amor. 2 horas depois Ele vai comprar um ramo ...
Na minha família sempre demos importância às tradições. Quando somos crianças, nem nos apercebemos que são essas mesmas vivências que vão ficar guardadas na nossa memória. Por vezes, na adolescência e juventude olhamos para essas tradições com algum desdém, mas com o decorrer do tempo, existem sabores, cheiros, imagens que nos fazem regressar àquelas vivências da infância. Enchem-nos o coração, a alma e a mente de sentimentos bons e felizes. Este foi o primeiro ano em que fui eu a fazer o Ninho da Páscoa , recordo-me de todos os sábados véspera de domingo de Páscoa a minha Avó Maria e a minha mãe o fazerem para sobremesa do almoço de Domingo. Ontem, após colocar a massa numa forma de pão-de-loó que era da minha mãe, vi-me na cozinha onde sempre vivi, ao lado da minha mãe a pedir-lhe o tacho para rapar o que tinha sobrado com o dedo. E assim foi, segurei no tacho com a mão esquerda e com o indicador direito comecei a rapar, aquela textura, aquele sabor. Nesse momento, fui nov...