Na minha família sempre demos importância às tradições. Quando somos crianças, nem nos apercebemos que são essas mesmas vivências que vão ficar guardadas na nossa memória. Por vezes, na adolescência e juventude olhamos para essas tradições com algum desdém, mas com o decorrer do tempo, existem sabores, cheiros, imagens que nos fazem regressar àquelas vivências da infância. Enchem-nos o coração, a alma e a mente de sentimentos bons e felizes.
Este foi o primeiro ano em que fui eu a fazer o Ninho da Páscoa, recordo-me de todos os sábados véspera de domingo de Páscoa a minha Avó Maria e a minha mãe o fazerem para sobremesa do almoço de Domingo.
Ontem, após colocar a massa numa forma de pão-de-loó que era da minha mãe, vi-me na cozinha onde sempre vivi, ao lado da minha mãe a pedir-lhe o tacho para rapar o que tinha sobrado com o dedo. E assim foi, segurei no tacho com a mão esquerda e com o indicador direito comecei a rapar, aquela textura, aquele sabor. Nesse momento, fui novamente a Maria com as duas trancinhas ao lado da minha face. Ali estava eu, a “lequinha” como a minha māe sempre me tratou.
Agora, sou eu que tenho a missão de manter esta e outras tradições, com a vontade de que os meus filhos, daqui a 25 anos sintam o mesmo carinho e amor que eu.
Um Páscoa Feliz
💖🌈💫

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