Chove. Sai à rua, a chuva cai no rosto, fria e espessa. Gela o corpo como a alma. A alma perdida. A rua cheira a terra, molhada. Recorda-se da infância e do caminho até à escola. Vira a cara para o seu ombro Esquerdo, o olhar perdido cai para o chão, molhado. Vê uma rosa. Dobra os joelhos e o tempo pára. Contempla cada pétala. Cheira. Sente, na ponta dos dedos e no coração. Cada pétala uma área da sua vida. Uma pétala toca, sente, a outra. As periféricas suportam as internas. Como a vida. Bonita. Com picos. Maria Costa