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💙 Dia do Pai 💙

(Ontem comecei a escrever este texto, mas não consegui terminá-lo para publicá-lo no dia de ontem. E está tudo certo!

Aliás, hoje começa a Primavera e faz todo o sentido publicá-lo no dia de hoje. Aproveitemos a energia que a primavera nos oferece: o florescer, o renascer, para refletirmos sobre este assunto e darmos mais um passo em frente.) 


Muito se pode escrever sobre o Dia do Pai! Podia aproveitar para agradecer (uma vez mais) ao meu Pai e ao Pai dos meus filhos. 

Mas hoje sinto que quero escrever para ti que és a Mãe dos filhos Deles (e para mim), para que possamos recordar-nos do papel tão importante que o Pai tem na vida dos nossos filhos( e nas nossas). 

A sociedade nas últimas décadas (talvez sobretudo nas últimas 2), tem vindo cada vez mais a falar da importância de incorporar o homem no seio da família como Pai e não só como: Marido, o Homem da casa, o responsável pela a ação, controlo das finanças e de tudo o que é mais prático. O Pai já pode usufruir de mais dias de licença parental e ser ele a gozar uma grande parte da licença em vez da mãe (em que lhe é obrigatório ficar os primeiros 42 dias com o bebé). 

Em grande parte dos textos e conteúdos que se lêem e ouve-se sobre a gravidez e a parentalidade, fala-se da problemática que é nos dias de hoje não termos uma comunidade que dê o suporte à mãe como existia antigamente no seio das famílias. E acaba-se por pedir que seja o pai a assegurar esse apoio à recém-mãe. 

Nós mulheres, na maioria dos casos, nascemos e crescemos a ver as nossas mães, avós e tias a desempenharem essas funções de suporte, apoio logístico e emocional. Agora pensemos, quantos dos nossos maridos, companheiros ou namorados viram os pais, avôs e tios deles a darem esse suporte às suas mulheres. 

A nós (mães) é sugerido que nos informemos, mas que não controlemos nada, que nos permitamos a sentir, a ser, a fluir. Ao longo, dos últimos anos, com a evolução da medicina e o grande intuito de diminuir a mortalidade durante o parto e pós-parto imediato, estas fases tornaram-me menos humanas, mais distantes e instrumentizadas. Por isso, é nos tantas vezes dito que voltemos ao passado, no que diz respeito ao confiarmos no nosso corpo e instintos de mãe. 


Então e o Pai?! 

Eles não sentem o corpo a ser alterado e as hormonas a fluírem no seu corpo. No entanto, estão a ver de fora todas as mudanças que temos e muitas delas nem são físicas. É lhes pedido que nos apoiem, que compreendam todas as nossas alterações e que entendam que com o parto e o nascimento, há um "renascimento" de uma nova mulher que agora também é mãe. 

Mas os Homens, de um dia para o outro (sem sentirem nenhuma alteração física ou hormonal), também renascem como Homens, Maridos/  Companheiros e Pais. 

Outro dos temas que se tem vindo a falar é de os homens deixarem de ter vidas também tão em piloto automático, terem tempo para se cuidarem, não ser só o homem-profissional, em resumo: não se preocuparem só com o TER mas também o SER. Sentirem e expressarem as suas emoções. 

Esse é um dos trabalhos que tenho feito e quero muito continuar a fazê-lo com o meu filho e com o que está para chegar. 


Agora pergunto, como podemos querer que eles expressem as suas emoções, que comuniquem connosco, que sintam, que nos oiçam e respeitem todas as alterações que nós estamos a sentir, se não lhes damos esse mesmo espaço?!


Por isso, o desafio que hoje te deixo, é que pegues numa caneta e numa folha, leias as perguntas que se seguem e que faças uma reflexão profunda sobre elas, enquanto escreves:

  1. Quando estavas grávida perguntaste ao Pai do teu filho como se sentia? Deste-lhe espaço para ele responder de forma autêntica?
  2. Questionaste-o sobre quais as suas maiores preocupações, medos e/ou receios?
  3. Como tu precisas de espaço só para ti, deste-lhe esse espaço (e não conta o tempo que ele passa no trabalho)?
  4. Desde que são pais (independentemente da idade que tem os teus filhos) falaram sobre quais os valores que cada um de vocês quer transmitir para os vossos filhos e que não são negociáveis e os que são?

Após esta reflexão, faço-te a sugestão de até ao dia de amanhã lhe dares espaço e/ou tempo para que ele possa falar contigo sobre como se sente ou para ele ter tempo (de qualidade) só com ele (seja a praticar desporto ou outra coisa). Mas, por favor, não te esqueças que os Homens falam muito menos que nós, são muito mais sucintos. E que não é de um dia para o outro que eles se sentem confortáveis a fazê-lo. Como em tudo é preciso tempo e consistência. Tal como na Primavera, as flores não florescem de um dia para o outro. 





Um dia Feliz
💖🌈🌠

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