(Ontem comecei a escrever este texto, mas não consegui terminá-lo para publicá-lo no dia de ontem. E está tudo certo!
Aliás, hoje começa a Primavera e faz todo o sentido publicá-lo no dia de hoje. Aproveitemos a energia que a primavera nos oferece: o florescer, o renascer, para refletirmos sobre este assunto e darmos mais um passo em frente.)
Muito se pode escrever sobre o Dia do Pai! Podia aproveitar para agradecer (uma vez mais) ao meu Pai e ao Pai dos meus filhos.
Mas hoje sinto que quero escrever para ti que és a Mãe dos filhos Deles (e para mim), para que possamos recordar-nos do papel tão importante que o Pai tem na vida dos nossos filhos( e nas nossas).
A sociedade nas últimas décadas (talvez sobretudo nas últimas 2), tem vindo cada vez mais a falar da importância de incorporar o homem no seio da família como Pai e não só como: Marido, o Homem da casa, o responsável pela a ação, controlo das finanças e de tudo o que é mais prático. O Pai já pode usufruir de mais dias de licença parental e ser ele a gozar uma grande parte da licença em vez da mãe (em que lhe é obrigatório ficar os primeiros 42 dias com o bebé).
Em grande parte dos textos e conteúdos que se lêem e ouve-se sobre a gravidez e a parentalidade, fala-se da problemática que é nos dias de hoje não termos uma comunidade que dê o suporte à mãe como existia antigamente no seio das famílias. E acaba-se por pedir que seja o pai a assegurar esse apoio à recém-mãe.
Nós mulheres, na maioria dos casos, nascemos e crescemos a ver as nossas mães, avós e tias a desempenharem essas funções de suporte, apoio logístico e emocional. Agora pensemos, quantos dos nossos maridos, companheiros ou namorados viram os pais, avôs e tios deles a darem esse suporte às suas mulheres.
A nós (mães) é sugerido que nos informemos, mas que não controlemos nada, que nos permitamos a sentir, a ser, a fluir. Ao longo, dos últimos anos, com a evolução da medicina e o grande intuito de diminuir a mortalidade durante o parto e pós-parto imediato, estas fases tornaram-me menos humanas, mais distantes e instrumentizadas. Por isso, é nos tantas vezes dito que voltemos ao passado, no que diz respeito ao confiarmos no nosso corpo e instintos de mãe.
Então e o Pai?!
Eles não sentem o corpo a ser alterado e as hormonas a fluírem no seu corpo. No entanto, estão a ver de fora todas as mudanças que temos e muitas delas nem são físicas. É lhes pedido que nos apoiem, que compreendam todas as nossas alterações e que entendam que com o parto e o nascimento, há um "renascimento" de uma nova mulher que agora também é mãe.
Mas os Homens, de um dia para o outro (sem sentirem nenhuma alteração física ou hormonal), também renascem como Homens, Maridos/ Companheiros e Pais.
Outro dos temas que se tem vindo a falar é de os homens deixarem de ter vidas também tão em piloto automático, terem tempo para se cuidarem, não ser só o homem-profissional, em resumo: não se preocuparem só com o TER mas também o SER. Sentirem e expressarem as suas emoções.
Esse é um dos trabalhos que tenho feito e quero muito continuar a fazê-lo com o meu filho e com o que está para chegar.
Agora pergunto, como podemos querer que eles expressem as suas emoções, que comuniquem connosco, que sintam, que nos oiçam e respeitem todas as alterações que nós estamos a sentir, se não lhes damos esse mesmo espaço?!
Por isso, o desafio que hoje te deixo, é que pegues numa caneta e numa folha, leias as perguntas que se seguem e que faças uma reflexão profunda sobre elas, enquanto escreves:
- Quando estavas grávida perguntaste ao Pai do teu filho como se sentia? Deste-lhe espaço para ele responder de forma autêntica?
- Questionaste-o sobre quais as suas maiores preocupações, medos e/ou receios?
- Como tu precisas de espaço só para ti, deste-lhe esse espaço (e não conta o tempo que ele passa no trabalho)?
- Desde que são pais (independentemente da idade que tem os teus filhos) falaram sobre quais os valores que cada um de vocês quer transmitir para os vossos filhos e que não são negociáveis e os que são?

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